Ontem (19) foi comemorado o aniversário de 128 anos de emancipação política de Guarapari. Entretanto, pesquisadores e professores defendem que o município tem pelo menos 434 anos, uma vez que há monumentos históricos que confirmam essa hipótese.

O Portal 27 já entrou no assunto, mostrando as pesquisas do professor José Amaral e também de outros pesquisadores. (Veja aqui) Pensando em resgatar o valor histórico local e valorizar esse segmento do turismo, as professoras Fernanda Geraldo e Aline Brandão da Escola Estadual Dr. Silva Melo não têm medido esforços em reunir provas de que a Cidade Saúde tem mais de 400 anos.

Encontros com o legislativo. Não encontrando nada na busca de um documento sobre a história da cidade, Fernanda e Aline resolveram procurar o vereador Thiago Paterlini (MDB) (confira matéria). “Estávamos em busca de um documento sobre a história da cidade. Não achamos nada, então resolvemos buscar ajuda com alguém do Legislativo. O vereador Thiago nos recebeu, nos escutou e abraçou o nosso projeto como partida para um espaço maior de discussões. Tivemos outro momento importante, que culminou com a reunião pública. Estamos agora em busca de exaltar a verdadeira idade de Guarapari”, afirmou Fernanda.

Reunião pública realizada com Emir Prates, Jose Amaral, Helione e Leticia Regina, Thiago Paterlini, Fernanda, Aline e Beatriz Bueno

10ª Cidade mais antiga do Brasil. “O que se sabe e que Guarapari é a 10ª cidade mais antiga do Brasil, teve a sua primeira edificação inaugurada em 1585 e passou por elevações de aldeia para vila e assim seguiu até cidade. O nome teria inspiração em uma árvore avermelhada que ainda podemos encontrar na Aldeia Velha. A importância de tudo isso é exaltar o que  Guarapari tem de mais importante: suas verdadeiras raízes, sua identidade e importância para a história do Brasil e do Mundo”, afirmou Fernanda que, juntamente com sua colega de trabalho não têm medido esforços em divulgar o potencial histórico de nossa cidade, começando pelo trabalho desenvolvido com seus alunos.

“Nossa cidade precisa ser realmente turística e não só excursionista. Precisamos exaltar o turismo histórico de nossa cidade. Precisamos promover o protagonismo de nossos jovens para que entendam o pertencimento e sua função na construção de toda essa transformação”, continuou a professora informando que encontrou alguns documentos sobre a cidade na biblioteca da UFES, no setor de documentos raros.

Limpeza do poço dos Jesuítas

Conheça, Valorize, Apaixone-se. Desde 2016 as professoras realizam o projeto “Conheça, Valorize, Apaixone-se”. “Este método foi pensado como forma de levar aos alunos o conhecimento sobre a cidade em que residem, e valorizarem as primeiras colonizações do município. Algumas pessoas comemoram o feriado de setembro, mas sem saberem o real significado do mesmo. Com isso, promovemos diversas exposições externas e críticas em sala, para que os estudantes tenham um olhar diferente, em relação a cidade onde vivem”, explicou Fernanda.

Primeira exposição do projeto Conheça, Valorize, Apaixone-se

Com o projeto, as professoras receberam o 11º Prêmio Professores do Brasil em 2018, como reconhecimento de melhor projeto do Estado. No dia 19 Aline e Fernanda estarão participando da premiação do “Prêmio SEBRAE de educação empreendedora”, onde são finalistas.

Reconhecimento das professoras

No dia 25 desse mês as professoras farão um encontro no Shopping Guarapari com roda de conversa com pessoas que lutam há anos pelo reconhecimento da data histórica da Cidade Saúde. “Reuniremos os apaixonados pela história da cidade. José Amaral, Emir Prates, D. Ângela Sodré, eu, Aline, o vereador Thiago, entre outros”, finalizou Fernanda justificando a ausência de Beatriz Bueno que estará viajando.

Convite para roda de conversa e exposição fotográfica com lançamento de livro no Shopping Guarapari

Um pouco de história. A cobrança da memória histórica da cidade pode ser comprovada por meio de uma carta enviada pelo padre Francisco Pires ao padre Manoel da Nóbrega, em maio de 1557, conforme registrado no livro “Cartas dos Primeiros Jesuítas do Brasil”, em que Pires faz referência a Guarapari já como cidade.

Livro. Em seu livro “Guarapari muito mais que um sonho lindo”, a historiadora Beatriz Bueno conta que a Igreja Velha foi o marco da fundação da cidade. A igreja tem sua estrutura de pedras sobrepostas e uma argamassa feita com areia, conchas trituradas, barro e óleo de baleia ou vegetal.

“O jesuíta fundou ali uma capela e posteriormente uma residência, destinada a seus coirmãos da Companhia de Jesus. Foi erguida possivelmente sob a invocação de Sant’Ana e do Sagrado Coração de Jesus, ou também de Santa Maria”, esclarece a Beatriz em seu livro.

Igreja Velha. A Igreja Velha, matriz de Nossa Senhora da Conceição, foi construída em 1585 pelo padre José de Anchieta. Segundo a história da cidade, foi por meio desse monumento que se iniciou o povoamento de Guarapari. Esse histórico pode ser encontrado no site da prefeitura, que aponta a fundação da Aldeia do Rio Verde ou Santa Maria de Guaraparim em 1585.

Deixe seu comentário