Um pintor de 62 anos caiu no golpe do falso sequestro e ficou mais de 20 horas desaparecido. Os golpistas fizeram Aeson Santos ficar hospedado em um hotel e até comprar um celular novo.

O drama começou na tarde de ontem quando Aeson recebeu uma ligação enquanto voltava do horário de almoço. Ele estava trabalhando em uma obra em Vila Velha.

Aeson ficou desaparecido por 17 horas. Ele chegou a se hospedar em um hotel a mando dos golpistas. Foto: João Thomazelli/Portal 27
Aeson ficou desaparecido por 17 horas. Ele chegou a se hospedar em um hotel a mando dos golpistas. Foto: João Thomazelli/Portal 27

“Me ligaram e uma voz de mulher dizia: ‘papai, me ajuda, me ajuda’. Nesse momento eu tive certeza que era a voz de minha filha e comecei a ficar preocupado. Depois um homem pegou o telefone e disse que estavam com minha filha, mas que não iam machucar ela se eu fosse em uma lotérica e depositasse R$ 1,5 mil para eles”, contou o pintor.

Aeson saiu desesperado da obra e com os golpistas ainda na linha, foi até uma casa lotérica, mas não conseguiu sacar o dinheiro, pois só estava com a identidade. No meio da conversa a “vítima” disse que o cartão estava na casa dele em Guarapari e os criminosos mandaram ele ir para lá.

“Eu entrei em um táxi e fui até minha casa em Guarapari. Peguei as chaves do carro e o cartão do banco e fui para uma lotérica. Minha esposa perguntou o que estava acontecendo, mas falei com ela que estava tudo bem”, disse o pintor.

A família achou que Aeson tinha sido sequestrado. Aeson achou que a filha estava em cativeiro. Foto: João Thomazelli/Portal 27
A família achou que Aeson tinha sido sequestrado. Aeson achou que a filha estava em cativeiro. Foto: João Thomazelli/Portal 27

Ainda pensando que a filha estava em poder dos golpistas, Aeson deixou o carro no subsolo de um centro comercial em Muquiçaba e sacou R$ 1,4 em uma lotérica ali mesmo. Como não era possível fazer depósitos naquele valor, ele foi à pé até outra lotérica, que fica também no bairro Muquiçaba e incluindo mais R$ 100, depositou em uma conta R$ 1,5 mil. Mas os criminosos não ficaram satisfeitos.

“Eles falavam que queriam mais R$ 10 mil e me mandaram procurar um hotel para passar a noite. Antes me mandaram comprar um celular novo pois aquele estava sendo rastreado pela polícia”, contou.

De cinco em cinco minutos os criminosos ligavam para a vítima, não dando chance dela fazer nenhuma ligação para outras pessoas. Quando a bateria do celular dele estava para descarregar completamente ele ainda estava na rua e eles mandaram a vítima procurar uma loja e pedir para dar uma carga no celular. “Uma moça me emprestou um carregador e depois que eu estava saindo ela me perguntou se eu estava bem. Disse que sim e saí”, relembra.

A agressão aconteceu por volta das 11h40 dentro da agência da Caixa no Centro de Guarapari. foto: João Thomazelli/Portal 27
Aeson foi visto dentro da agência da Caixa no Centro de Guarapari. João Thomazelli/Portal 27

O pintor conta que dormiu sentado no hotel. “Eles me ligavam a todo o momento e como eu estava com medo do celular descarregar, sentei em uma cadeira ao lado da tomada e dava cochilos rápidos até que eles ligavam e me acordavam”, contou Aeson.

Pela manhã Aeson foi visto dentro de uma agência da Caixa Econômica no Centro de Guarapari pela mesma mulher que tinha emprestado o carregador para ele na tarde anterior. Ela ligou para a família, já que o desaparecimento dele já havia sido divulgado na internet.

O genro de Aeson foi até o local e verificou que era mesmo ele e parou dois policiais militares que passavam de moto no momento. “Nós não sabíamos se tinha alguém com ele no banco e ficamos com receio de chegar perto. Pouco depois, policiais civis que também já acompanhavam o caso chegaram e abordaram ele dentro da agência”, contou Carlos Guimarães, 34 anos.

Aeson só acreditou que era vítima de golpe depois de encontrar com familiares na delegacia. Foto: João Thomazelli/Portal 27
Aeson só acreditou que era vítima de golpe depois de encontrar com familiares na delegacia. Foto: João Thomazelli/Portal 27

“Mesmo os policiais dizendo que era um golpe e que minha filha estava bem, eu não acreditava. Eu tinha tanta certeza de que era a voz de minha filha que nada tirava da minha cabeça que eles iam machucar ela”, disse emocionado o pintor.

Só na delegacia foi que Aeson ficou mais calmo e entendeu que tinha sido vítima de um golpe. Já em casa com as três filhas e a esposa, Aeson relembra dos momentos de pânico que passou.

“Passava muita coisa em minha cabeça. A todo momento eu pensava que tinha que fazer o que eles diziam para que não machucassem minha filha. Era só o que eu pensava”, disse com os olhos marejados.

Em casa, a família pensava que ele tinha sido sequestrado. “Achamos que ele tinha sido sequestrado e que devia estar no porta malas de um carro rodando pela cidade”, finalizou o genro de Aeson.

Polícia Civil

O delegado titular da Delegacia de Crimes contra o Patrimônio de Guarapari, Tarsis Morais Gondim, disse que estes golpes são muito comuns e que a vítima deve ficar atenta a alguns detalhes, como por exemplo:

– Tentar entrar em contato com os familiares assim que receber a ligação;
– Inventar um nome para o suposto filho sequestrado e ver se os golpistas confirmam;
– E procurar a polícia imediatamente depois de receber este tipo de ligação.

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