Por trás da vassoura: o trabalho essencial dos garis que mantém a cidade viva

Nesta quinta-feira, 16 de maio, é comemorado o Dia do Gari, data dedicada a homenagear os profissionais que mantêm as cidades limpas, organizadas e saudáveis. Em Guarapari, esses trabalhadores são mais do que agentes da limpeza urbana — são verdadeiros pilares da saúde pública e do bem-estar coletivo. Diante disso, o Portal27 entrevistou uma profissional da área para realizar essa reportagem especial.

Luiza é gari há 5 anos e aceitou participar da reportagem especial.

Entre eles está Luiza Scrivani, que acaba de completar cinco anos de atuação como gari. Desde 2020, ela dedica seus dias à limpeza do centro da cidade, onde aprendeu a ver a rua não apenas como espaço de passagem, mas como lugar de convivência, responsabilidade e afeto.

“Nosso trabalho é dividido em etapas e tarefas. Temos um trecho específico, e atualmente eu trabalho no centro de Guarapari”, conta Luiza, com orgulho.

Desafios e desrespeitos

A rotina, embora importante, é cercada de obstáculos. Para Luiza, o maior deles é a postura da população diante do serviço de limpeza:

“A falta de respeito e muito lixo jogado no lugar errado. Tem gente que acha que rua é lixeira e esquece que por trás da vassoura tem uma pessoa, e que essa atitude prejudica toda uma sociedade!”

Valor que vai além do uniforme

Apesar disso, ela segue firme na missão que abraçou há meia década. Para Luiza, a profissão tem um valor que vai muito além do que a maioria enxerga:

“Sem dúvidas, fundamental! Sem gari, a cidade para. Somos a linha de frente da saúde pública e do bem-estar urbano.”

E não é só esforço: o trabalho também gera conexões, amizades e carinho. A gari se emociona ao relembrar um gesto que guarda com carinho até hoje:

“Uma vez, uma criança me deu um desenho com a frase ‘obrigado por cuidar da minha rua’. Guardei até hoje. Me tocou de um jeito que nem sei explicar.”

Reconhecimento: um gesto simples que faz diferença

Luiza acredita que a sociedade poderia colaborar muito mais, com gestos básicos:

“Não jogar lixo no chão, respeitar os horários da coleta e tratar os garis com dignidade. Se todos fizessem isso já estava ótimo!”

Ela também aproveita para quebrar estereótipos:

“No nosso município, a limpeza urbana é feita por pessoas concursadas, muito trabalhadoras e inteligentes. Acho que muita gente ainda tem um estereótipo de profissão ‘inferior’, mas estão completamente equivocadas!”

Cinco anos de dedicação e uma mensagem poderosa

Ao completar cinco anos na profissão, Luiza deixa um recado à população, especialmente neste Dia do Gari:

“Respeite quem cuida do que é de todos. Nosso trabalho é invisível até faltar — então valorize hoje.”

Entre varridas, sorrisos e desafios, Luiza representa a força de uma categoria que mantém a cidade em movimento — ainda que, muitas vezes, sem ser vista. O Dia do Gari é o momento ideal para mudar isso. Feliz dia para todos os nossos garis!

Compartilhe AGORA:

Picture of João Pedro Barbosa

João Pedro Barbosa

Jornalista formado pela Universidade Federal do Espírito Santo.

Veja todos os posts deste autor >