Moradores de rua espalharam pedaços de pano na lateral da rampa para cobrir o local onde vivem.

Nos últimos meses a presença de pessoas em situação de rua aumentou em Guarapari. Eles estão espalhados por diversos pontos da cidade e ficam principalmente no Centro e na Praia do Morro. Mas, o problema é ainda pior quando eles fazem das praias suas casas e chegam a pendurar roupas e fazer suas necessidades fisiológicas no local.

Essa situação tem acontecido em pelo menos duas praias da cidade. Na Praia do Meio, no Centro, moradores de rua estão morando embaixo de uma rampa que fica próxima ao Siribeira Clube. Eles espalharam diversos pedaços de pano na lateral da rampa para cobrir o local onde vivem e chegam a espalhar roupas no corrimão. Na Prainha de Muquiçaba a situação não é diferente. Lá além de morar, eles ainda usam um braseiro sob a vegetação nativa para preparar suas refeições.

O vice-presidente da Associação de Moradores do Centro (Amocentro), Alberto Crespo explicou que a situação piorou na última semana e que como eles não podem ser retirados a força ficam o quanto quiserem. “Nessa última semana eles deitaram e rolaram porque não tinha polícia nem prefeitura funcionando. Nós sempre avisamos ao pessoal da abordagem de rua, mas o problema é que a equipe vai lá e eles não saem e acabou. Tem um grande problema que é o direito de ir e vir, o sujeito tem o direito de ficar. Isto está na Constituição. A Assistência Social pega, dar banho e sempre que possível manda para outro destino, mas os caras não querem ir ou então vão e voltam. Isto é um problema muito sério”.

Na Prainha de Mquiçaba eles usam a árvore para guardar seus pertences e ainda usam um braseiro para cozinhar no local.

Ele também relatou que alguns não respeitam nem a polícia nem os pontos turísticos da cidade. “Esses dias eles afrontaram até a polícia. O policial foi falar com ele e o cara disse que não iria sair porque não estava fazendo nada com ninguém e estava quieto no canto dele. Teve um outro que arrancou a placa da balneabilidade e o policial foi lá falar com ele, ele deu as costas e foi embora.  Na Fonte dos Jesuítas chegaram a jogar sabão em pó dentro da fonte. Eles não saem de lá de jeito nenhum, ficam lá e tomam banho”.

O vice-presidente da Amocentro fez um apelo para que a população também busque ajuda para solucionar o problema. “A gente toma providência ligando para a Secretaria de Assistência Social e eles fazem a abordagem. Os moradores reclamam, mas não ligam para reclamar. Se dez, quinze pessoas ligassem para a secretaria, eles iriam se sentir incomodados. Acho que a população tem que reclamar porque tem que ter solução. Nós não podemos ficar assim”.

Ele também lembrou que pessoas em situação de rua morando nas praias não mostram a imagem de uma boa cidade para receber os turistas. “Para mim se ficou ruim para o morador, não presta para o turista. A cidade depende do turismo e nós moradores temos que fazer uma excelente cidade para a gente e o turista ser bem recebido. A cidade boa para a gente não tem mendigos na praia nem o pessoal fazendo anarquia.

ABORDAGENS: A prefeitura informou que recentemente a Secretaria de Trabalho, Assistência e Cidadania realizou ação de retirada dos pertences e realizou abordagem para Casa Dia. Disse ainda que com a volta da normalização da segurança no município e retorno das atividades a Polícia Militar novas ações serão realizadas.

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