Após polêmica retirada das árvores centenárias que tem dividido opiniões na cidade, a administração municipal afirma que irá plantar novas espécies que seriam típicas do clima de Guarapari: algodoeiro da praia, ipês rosa e roxo, sibipiruna e oiti. “Essas árvores são apropriadas para arborização urbana e vão deixar o local ainda mais bonito”, afirmou a Prefeitura por meio de nota.

Embora o corte das árvores faça parte do projeto de reurbanização da orla da cidade, os moradores de Muquiçaba, sobretudo os que vivem próximos à Prainha estão descontentes com a situação.

Foto: imagens divulgadas pela Prefeitura Municipal de Guarapari

Em 2018 população e políticos da cidade se mobilizaram contra o início do corte das árvores. Após a derrubada de cinco castanheiras, a justiça suspendeu a supressão, mas a Prefeitura recorreu na justiça e de acordo com aval do Conselho de Meio Ambiente do município, mais quatro árvores estão sendo cortadas. 

Moradora do bairro há 15 anos, a estudante de nutrição Enian Guedes fala com tristeza dos cortes: “As árvores faziam parte dessa vista da varanda, o sentimento foi de tristeza. Árvores tão grandes, com tantos anos de vida. Vi cair a primeira parte da castanheira maior, deu vontade de chorar”, afirmou. 

Vista da varanda de Enian Guedes após corte de árvores

Sustentabilidade. Gilmar Bertulani, professor, 50 anos, é nascido no interior de Guarapari e reside na área urbana há 32 anos. É mais um morador da cidade que está indignado com o corte das árvores e pede providências para que não ocorram mais cortes. “Quando criança frequentava a Prainha devido à tranquilidade de suas águas e devido às sombras exuberantes que aliam existiam. Quando adulto adorava ir nas tradicionais festas de São Pedro, namorávamos, muitas vezes, aos pés destas árvores. As árvores daquele local já existiam, provavelmente, antes de eu ter nascido e presenciaram o crescimento e desenvolvimento do bairro. Não dá pra aceitar uma atrocidade dessas. É preciso sim, revitalizar locais que, com o tempo, foram ficando esquecidos. Faz parte do desenvolvimento. Porém, percebemos que Guarapari corre na direção contrária ao desenvolvimento aliado à sustentabilidade”, afirmou o professor se mostrando contrário à justificativa dada pela administração para os cortes.

Angústia. A jornalista Karlla hoffmann, 41, relata que cresceu no bairro, assim como os pais dela, e se revolta ao ver as árvores sendo cortadas. “Nossa infância foi toda aqui nessa nessa região, segunda-feira a gente ouvia esse a motosserra funcionando e dava uma angústia muito grande, eu não tive coragem de olhar, por duas vezes na terça-feira eu chorei lembrando de como era bom a gente brincar, levar as crianças, poxa, não é uma praia de turista, é uma praia de morador, a gente não queria urbanização nela, eles podiam melhorar o acesso, mas essa praia é nossa”, afirmou.

Em nota a Prefeitura esclareceu que, segundo Rivelino Galvão, biólogo, “Castanheiras e Fíccus não são árvores indicadas para a arborização urbana. São espécies que não integram a vegetação nativa do local. As raízes dessas árvores matam plantas ao redor, como a vegetação de restinga. Em espaços urbanos, elas destroem ruas, calçadas e podem até abalar a estrutura de construções”. A administração municipal divulgou ainda que uma das árvores derrubada estava oca por dentro e poderia cair a qualquer momento. 

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