As pessoas em situação de rua vivem a margem da sociedade, mas na tarde deste sábado (16) elas foram o centro das atenções do Projeto Banho da Vida, realizado na Praça dos Golfinhos, localizada entre os bairros Muquiçaba e Praia do Morro.

O projeto oferece banho, roupas limpas, corte de cabelo, barba, maquiagem, aferição da pressão arterial e da glicemia, curativos, água e lanche para as pessoas em situação de rua. Fotos: Rafaela Patrício

O projeto oferece banho, roupas limpas, corte de cabelo, barba, maquiagem, aferição da pressão arterial e da glicemia, curativos, água e lanche para as pessoas em situação de rua. A iniciativa é da Agência  Missionária Ação Resgate (AMAR), de Rio das Ostras- Rio de Janeiro,  e contou com o apoio do Projeto Ação e Resgate – que faz parte da AMAR e atua em Guarapari oferecendo alimentos e ajuda para que as pessoas voltem as cidades de origem – e da Secretaria  de Trabalho, Assistência e Cidadania (Setac).

O presidente da AMAR, Denis Oliveira Calazans explicou que o Banho da Vida é realizado por voluntários de várias religiões há um ano em Cabo Frio, Macaé, e Rio das Ostras. Ele contou que as pessoas em situação de rua foram avisadas do projeto anteriormente e que elas tomam a iniciativa de participar.

“O banho acontece em banheiro móvel. Nós temos um gerador de energia que alimenta uma bomba hidráulica e temos uma caixa d’água de mil litros que joga água nos dois chuveiros, um no banheiro masculino e o outro no feminino. Nós também temos um aquecedor e quando está frio eles tomam banho quente”, explica Denis.

Os banheiros masculino e feminino são separados e um gerador alimenta a bomba hidráulica que fornece a água para os chuveiros. Foto: Rafaela Patrício

Além dos cuidados com a aparência e o alimento, elas ainda recebem ajuda para tratar vícios. “A gente faz a oração para  quem pede e   aquele que quer ir para a casa de recuperação a gente também encaminha para o tratamento da dependência química”, disse o presidente da AMAR.

O coordenador do Projeto Ação Resgate, Marcus Ely Vaillante afirmou que está é a primeira vez que a ação é realizada na cidade, mas que a partir de agora deve acontecer a cada dois meses, aos sábados a partir das 14h, no mesmo local. Segundo ele, a expectativa é atender pelo menos 30 pessoas na tarde de hoje.

“A essência dessa ação não é só oferecer um banho de  dignidade as pessoas em situação de rua, mas é mostrar para eles que também são amados. A gente consegue compartilhar o amor de Cristo e a partir desse amor eles percebem que tem  pessoas que de alguma forma se importam com eles também. Então esperamos que essa importância que elas tem para a sociedade se transforme em restauração de vida. Que elas tenham a vida transformada por esse amor que a gente aprende a compartilhar em uma ação dessas”, disse Marcus.

Sirlon é da Bahia e está em Guarapari há quatro meses. Foto: Rafaela Patrício

Uma das pessoas que procurou o projeto foi o Sirlon Moraes Santos, de 50 anos. Ele é da Bahia, já morou em Anchieta e está há quatro meses morando em Guarapari.  Sirlon relatou que foi morar nas ruas por conta da dependência química e que estava na expectativa desde ontem para participar do projeto. “Isso aqui é uma maravilha. Estava esperando para fazer um corte de cabelo, a barba e tomar um banho”.

A coordenadora do projeto Banho da Vida, Liliane Lira e o morador de rua Júlio Márcio, que já participou de inúmeras edições. Foto: Rafaela Patrício

O Júlio Márcio, de 43 anos, mora na rua há 17 anos. Ele contou está em Guarapari há um mês e já participou de inúmeras edições do projeto em outras cidades.

Júlio afirmou que veio do Rio de Janeiro e foi parar nas ruas após tirar a vida de um homem que estuprou sua filha. “Fui obrigado a matá-lo porque estuprou minha filha. Fiquei um ano e seis meses preso e não devo mais nada para a justiça. Quando saí voltei para minha casa e fiquei um bom tempo. Minha esposa faleceu e criei meus filhos, mas depois peguei o mundão. O maior sonho da minha vida é arrumar um emprego e ter minha família de volta para viver minha vida. Sou pintor de prédios e mexo com gesso e espero que alguém possa me ajudar”.

Já a Regina Timóteo Paulino, de 36 anos, participou do projeto pela primeira vez e veio em busca de algo em especial. “Vim tomar um banho. Tomo na Praia da Cerca, mas a gente que é mulher precisa dar uma higiene. Estou desde cedo aqui. Fiz até minha comida ali e fiquei aqui esperando”.

Ela contou que veio de São Paulo e está em Guarapari há um mês. Regina não quis revelar porque foi morar nas ruas, mas disse que tinha casa e família e há dez anos sua vida mudou. Ela afirmou que ações solidárias como essa são de extrema importância para que vive na rua.

Regina antes e depois do banho no Projeto Banho da Vida. Fotos: Rafaela Patrício

“A gente costuma falar que as pessoas que fazem esse tipo de coisa são os anjos da rua. Sem eles a gente não vive. Eles são os únicos que dão oportunidades para a gente. É muito importante até um copo de água que eles passam na madrugada dando. Um café com pão ajuda muito porque tem dia que não temos um pão para comer e na hora que a gente mais precisa eles aparecem”, disse Regina.

 

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