Assim como vem acontecendo em outras cidades do Estado, em defesa dos direitos dos policiais militares cerca de 60 mulheres entre esposas, irmãs, mães e filhos dos PM’ s fazem uma manifestação em frente ao 10º Batalhão da Polícia Militar, em Guarapari, na manhã deste sábado, dia 04 de fevereiro.

Familiares dos policiais militares fazem protesto em luta pelos direitos dos PM’s.

Nádia Gomes é esposa de um policial e membro da comissão que organizou a manifestação. Segundo ela, os policiais estão sem receber reajuste salarial há 7 anos e também não estão recebendo os equipamentos de segurança necessário para trabalhar.  “Os policiais estão com salários defasados, a segurança deles tem sido colocada em risco constantemente porque o Estado não disponibiliza todos os materiais de segurança próprios para eles. Não há assistência nenhuma nem ao militar nem aos familiares. Eles têm vindo trabalhar desmotivados tanto financeiramente como sabendo que estão colocando a vida deles em risco”.

O protesto teve início por volta das seis horas da manhã, quando os familiares bloquearam a entrada do batalhão. Eles usam apitos e cartazes com as reivindicações e param o trânsito por aproximadamente cinco minutos repetitivamente.

Manifestante com cartaz mostrando que mesmo reduzindo a taxa de homicídios os PM’s do Estado estão com baixos salários.

De acordo com Nádia, o policiamento na cidade foi interrompido e não volta a ser realizado hoje. “A partir de agora ou o governo acorda para o que está acontecendo ou não há negociação. Hoje em Guarapari não vai haver nenhum policiamento. As últimas três viaturas que estavam na rua foram recolhidas agora porque os policiais militares estavam na rua há mais de 12 horas de serviço. Se o Governo mantivesse essas viaturas na rua, estaria colocando a vida deles novamente em risco, não há policiamento em Guarapari hoje”.

Cecília Rodrigue também é esposa de militar e questiona a falta de pagamento de direitos como periculosidade e adicional noturno. “Todo trabalhador da CLT quando tem carteira assinada recebe periculosidade quando está na profissão de risco, os que trabalham à noite tem adicional noturno. Qualquer trabalhador tem isso, por que eles não? Qual a diferença? ”

Ela afirmou ainda que nem os policiais nem os familiares tem planos de saúde, direito que também é reivindicado por elas. “Eles não tem plano de saúde. O salário já é defasado e a gente ainda tem que pagar plano de saúde porque a saúde pública está péssima. Eles estão em uma profissão de risco e não tem plano de saúde nem para eles. Se acontece alguma coisa com o policial, ele vai para onde? A família não tem, mas ao menos eles tinham que ter plano de saúde”.

Manifestantes bloquearam a entrada do 10º Batalhão da Polícia Militar.

Cecília também lembrou que mesmo com os salários defasados os policiais conseguiram diminuir a criminalidade no Estado. “O país já está em recessão e com o salário baixo não tem condição de um policial ganhar menos de 3 mil reais pela responsabilidade que ele tem. A segurança está defasada demais e eles ainda conseguiram diminuir a criminalidade no Estado, mesmo com o pior salário do Brasil. Aqui não tem tantos policiais, se não me engano, são 10 mil policiais. Então um aumento salarial não traz tantos custos para o governo. Se o governo não valorizar a segurança, saúde, educação, vai valorizar o que?”.

Elaine Priscila Ribeiro é irmã de um policial e falou sobre as dificuldades que a falta de reajuste salaria traz para as famílias. “Tem 7 anos que eles não têm um reajuste. Isso é injusto porque as coisas estão ficando muito caras, o custo de vida e a alimentação. O salário não aumenta e como eles podem dar uma boa educação para os filhos? Criar uma família? Fica uma situação muito difícil. A gente quer esse reajuste porque é uma forma de respeito com eles. São pessoas que estão aqui para nos proteger e dão a vida deles para proteger a sociedade. Eles merecem todo respeito e reconhecimento”, desabafou.

Policiamento também está paralisado em Anchieta.

Em Anchieta e Piúma familiares dos policiais militares também fecharam a Cia da Polícia Militar e também não há policiamento nas cidades.

A Secretaria Estadual de Segurança Pública e Defesa Social, informou que o secretário  André Garcia está disponível para atender as demandas sobre a manifestação das mulheres de PMs em seu gabinete.

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