240 doses da vacina de febre amarela estão sendo aplicadas por dia em Guarapari.

Um surto de febre amarela colocou Minas Gerais em estado de emergência contra a doença. Segundo o boletim epidemilógico divulgado pela Secretaria Estadual de Saúde de Minas Gerais no dia 13 de janeiro, foram registrados 133 casos suspeitos da doença e 38 mortes podem ter sido provocadas por febre amarela. Esses dados têm assustado os turistas mineiros e a população de Guarapari, já que a cidade é o destino mais procurado dos mineiros no Espírito Santo.

Segundo a supervisora de atenção à saúde de Guarapari, Alessandra Albani, a procura pela vacina na cidade aumentou muito nos últimos dias e foi preciso se adaptar a situação. “O município não é área endêmica, não estava preparado para esta situação. Recebemos 180 doses por mês e a população da noite para o dia começou a procurar as unidades de saúde e isso assustou a nossa equipe e a gestão pela situação. A gente teve que se reorganizar para atender a população que está em busca da imunização. Estamos distribuindo senhas tanto na unidade Centro Municipal de Saúde quanto na Doutor Roberto Calmon. Pela parte da manhã varia de cinquenta a sessenta senhas e no período da tarde cinquenta senhas, porque as unidades funcionam de sete da manhã às quatro da tarde”.

De acordo com Alessandra, a vacina é procurada na maior parte dos casos pelos mineiros que querem voltar para sua região de origem já imunizados. Ela afirma ainda que as duas unidades de saúde chegam a atender 240 pessoas por dia. “Como essa não é uma vacina de rotina antes a quantidade de pessoas era muito pouca, de 3 a 4 por dia. Hoje são 120 em cada período do dia, ou seja, 240 pessoas por dia”.

Apesar do grande número de pessoas que estão sendo imunizadas, algumas pessoas que moram na cidade afirmam que não estão conseguindo receber a dose da vacina. A professora de música Daniele Albuquerque, de 41 anos, é uma delas e não concorda com a possível preferência que estaria sendo dada aos mineiros.

Professora de música não consegue imunizar as filhas.

“Ontem vim para cá, e fui informada que chegaria uma hora. Mas que era para eu chegar antes  para conseguir a dose. Aí cheguei aqui e a moça falou que estava vindo e chegaria provavelmente no final da tarde, mas que não seria aplicada hoje, só amanhã a partir de sete e meia. Meu questionamento é que noventa porcento das pessoas que estavam aqui são de Minas Gerais. Eles alegaram que é um quadro de risco, mas tem vacina na cidade deles porque está sendo feita a campanha lá. Vacinar hoje para ir embora amanhã não vai valer de nada porque leva dez dias para fazer efeito. São aplicadas cinquenta doses por dia e o pessoal de Guarapari não toma essa vacina? Minhas filhas também estão no quadro de risco, vou para lá dia trinta”.

A supervisora de atenção à saúde negou que haja prioridade para os mineiros. “Não existe prioridade, existe necessidade. A vacina é universal e não posso negar. Como houve casos em lá Minas Gerais eles estão procurando a vacina para que possam ser imunizados dez dias antes, conforme os critérios que estamos seguindo, para voltar para sua região. Como lá é uma região endêmica não podemos negar essas doses. Em Guarapari não temos casos de febre amarela e não tem porque a população ficar preocupada com isso agora. Se o morador de Guarapari for viajar para uma região endêmica, pode procurar a unidade de saúde que vai ser vacinado”.

A turista Cristiane Fontainha, de 40 anos, é de Manhuaçu e foi até o Centro de saúde na tarde desta segunda-feira, dia 16 de janeiro, com a mãe Maria das Graças Fontainha, de 66 anos, a irmã e a filha, mas também não conseguiram ser imunizadas. “ A gente chegou na quinta-feira e vai embora na sexta. Eles falaram que acabou as doses, são só cinquenta por dia. Tem que chegar cedinho, antes das seis da manhã. Aí sete horas abre, mas tem que chegar antes porque é senha e o pessoal de Minas que está aqui está tudo procurando”.

Turistas de Minas Gerais não conseguiram ser imunizadas nesta segunda-feira.

Alessandra explicou também que não há grupo de risco, mas que gestantes e lactantes não podem tomar a vacina e idosos só com laudo médico. “A faixa etária é de pessoas acima de 9 meses e no máximo 59 anos, sendo que tem que viajar. Tem que ir para uma região de área endêmica para que ele possa ser imunizado dez dias antes. Acima de sessenta anos a gente precisa do laudo médico dando autorização para o idoso tomar a vacina. Já gestante e quem está amamentando não toma vacina de febre amarela”.

 

 

 

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