Assim como no verão, Guarapari esteve lotada durante o carnaval. Mas o presidente da Associação das Indústrias Brasileiras de Hotéis no Espírito Santo (AIBH-ES), Gustavo Guimarães, relata que os hotéis atingiram 80% de taxa de ocupação durante a folia.
“Reveillon e carnaval são os picos de movimento do verão e a gente sempre fica na expectativa para trabalhar entre 95% e 100%, mas, infelizmente, a gente não conseguiu reverter dessa forma que esperávamos”, lamenta o presidente da AIBH-ES.

O presidente da Associação de Hotéis e Turismo de Guarapari (AHTG), José Renato Cezar, também registrou uma taxa de ocupação média de 80% e acredita que a chuva atrapalhou os hotéis a atingirem a lotação. “Conseguimos atingir uma média de 80% a 85%. Teve hotéis que até chegaram aos 100%. Mas teve outros que não chegaram porque teve um período de chuva antes do carnaval e muita gente que trabalha com pacotes não teve tempo de se recuperar”.
Gustavo explica que a ocupação deste ano foi menor do que a do ano passado.”Tivemos uma pequena queda em relação ao ano passado, quando estávamos saindo daquele período de paralisação da polícia e conseguimos trabalhar ocupação de 85%, que estava dentro do esperado porque do problema da segurança. Já este ano, conseguimos chegar aos 80% de forma suada. Alguns hotéis tiveram que abaixar a tarifa para conseguir uma ocupação mais expressiva”.

Já para José Renato, a ocupação deste ano durante o carnaval foi bem melhor. “No ano passado foi péssimo. Com a paralisação da polícia eu e meus colegas não atingimos 50%”.
Casas de Aluguel. O presidente da AIBH-ES acredita que essa redução da ocupação seja causada pelas casas de aluguel. “O motivo disso mesmo com Guarapari tão cheia é a oferta indiscriminada de imóveis de locação para temporada por qualquer preço e colocando qualquer quantidade de pessoas dentro desses imóveis”, disse Gustavo.
Os imóveis de temporada também são vistos como problema para o presidente da AHTG. “As casas de aluguel estão denegrindo a imagem de Guarapari e atrapalhando a imagem da cidade, atrapalha também a nossa”, afirmou José Renato.
Regulamentação. Ele defendeu a realização da regulamentação dos imóveis de temporada. “Enquanto a gente não conseguir conscientizar este pessoal que precisa regulamentar e que regulamentando eles não vão perder dinheiro, vamos continuar tendo dificuldades. Eles acham que se regularizar essas casas vão deixar de ganhar dinheiro, mas pelo contrário moraliza e o valor da casa melhora”.
Gustavo Guimarães também defende a regulamentação da locação dos imóveis de temporada no município. “O que a gente precisa para resolver esta questão não é fiscalização, mas a regulamentação”.

O presidente da AIBH-ES lembra ainda que além da rede hoteleira, moradores da cidade também acabam prejudicados pela falta de controle na locação desses imóveis. “Muitas vezes essas casas recebem um número de pessoas bem maior do que comporta e o consumo delas extrapola todo o projeto, o Habite-se, o dimensionamento da rede de água, de luz e esgoto. Com isso, moradores de bairros mais afastados das caixas distribuidoras de água acabam prejudicados. Este ano graças a Deus tivemos um período de chuva e não teve falta de água, mas com a quantidade de pessoas de forma indiscriminada nestes imóveis acaba causando a falta de água nos bairros onde a população de Guarapari mora”.
Ele também revelou que em Iriri os hotéis associados a AIBH-ES também tiveram dificuldades neste carnaval. “Em Iriri os hotéis também sofreram muito em função dos imóveis de aluguel. Conversei com dois hoteleiros de lá que tiveram que jogar a diária para baixo e vender em cima da hora para conseguir alguma coisa, mas eles também não tiveram a ocupação de outros carnavais”.
Ocupação no Estado. Ainda de acordo com o presidente da AIBH-ES, em outros município do Estado a ocupação da rede hoteleira foi bem melhor do que a de Guarapari. “Em Vitória foi melhor, lá eles tiveram 95% de ocupação. Na região das montanhas como Domingos Martins e Venda Nova foi entre 95% a 100% e teve hotel que estava desesperado atrás de apartamento para alugar porque tinha lista de espera e não tinha mais quartos para atender”, revelou Gustavo Guimarães.











