Parece que Paulo Hartung voltou definitivamente ao jogo político capixaba. E fez isso da forma que sempre soube fazer: sem alarde, ocupando espaços aos poucos e observando o tabuleiro antes de mover as peças.
Após deixar o governo em meio ao desgaste provocado pela greve da Polícia Militar em 2017, o ex-governador passou alguns anos distante da política eleitoral, buscando manter protagonismo como gestor e formulador de ideias em nível nacional. A filiação ao PSD marcou seu retorno efetivo ao cenário político do Espírito Santo.

Nos últimos meses, Hartung chegou a ter seu nome cogitado para disputar novamente o Governo do Estado. Pesquisas de intenção de voto incluíram seu nome e tentando mostrar que que ele ainda preserva um capital político relevante, embora tenha optado ainda por não entrar oficialmente na disputa.
Enquanto isso, o PSD, que durante meses sinalizou uma aproximação com o grupo de Lorenzo Pazolini e chegou a transmitir a impressão de que a aliança estava encaminhada, agora abre diálogo com o grupo liderado por Ricardo Ferraço e Renato Casagrande. Tanto Ferraço quanto Casagrande afirmaram publicamente que estão dispostos a conversar com o PSD, ressaltando que o diálogo é com o partido, e não necessariamente com Paulo Hartung.
É justamente aí que surge a principal dúvida dos bastidores. É possível dissociar o PSD da figura de Paulo Hartung? Embora o comando formal da legenda esteja nas mãos do presidente estadual, Renzo Vasconcelos, permanece a incerteza sobre qual é, na prática, a influência política exercida pelo ex-governador nas decisões estratégicas do partido.
Essa é uma questão que certamente acompanhará as negociações das próximas semanas. Se o PSD caminhar para uma aliança com o grupo de Ferraço e Casagrande, o acordo será apenas com a legenda ou também representará uma reaproximação, ainda que indireta, com Paulo Hartung? A resposta pode ajudar a definir um dos movimentos mais importantes da sucessão estadual.











