A falta de socorro colocou em risco a vida de uma secretária, de 38 anos, que prefere não ser identificada. Ela passou por uma cirurgia para a retirada das amídalas na última sexta-feira (26) e na noite desta segunda-feira (29) sofreu uma grave hemorragia, mas não conseguiu ser socorrida pelo Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) da sua casa, na Praia do Morro,  até a Unidade de Pronto Atendimento (UPA).

Este já é o terceiro caso de falta de socorro do Samu denunciado pelo Portal 27. Há quatro meses um homem passou mal na rua e teve que ser socorrido por populares porque a ambulância não apareceu e em março um ajudante de mecânica morreu após passar mal durante três dias e seus amigos acusaram o serviço de negligência.

A irmã da secretária, a esteticista Elisângela Prado, explicou que ela estava com uma inflamação crônica nas amídalas e que por isso, foi realizada uma cirurgia, em Vitória. Segundo ela, no sábado (27) a irmã recebeu a alta e o médico explicou que ela poderia sentir dor e ter falta de apetite durante a recuperação, mas caso houvesse algum sangramento era necessário buscar socorro imediato.  A hemorragia aconteceu por volta da meia noite e como a família estava sem carro e não havia vizinhos em casa, Elisângela recorreu ao Samu.

Segundo Elisângela, a irmão sofreu uma grave hemorragia, mas mesmo após relatar tudo para a atendente a ambulância do Samu não apareceu para prestar socorro.

“Fiquei desesperada porque ela estava sangrando pela casa inteira e engasgando com o sangue. Ela não conseguia respirar direito e fiquei muito assustada. Entrei em pânico e liguei para a ambulância e mesmo muito nervosa consegui passar o endereço. A atendente falou que iria mandar a ambulância, mas ninguém apareceu”, conta a esteticista indignada.

Ela afirmou que quando percebeu que o socorro não viria levou a irmã sangrando para o meio da rua e pediu carona para a UPA. “A gente foi para o meio da rua. Sentei ela no passeio sangrando e tonta e a vizinha ficou apoiando. Então fui obrigada a parar um estranho e pedir para nos levar porque não tinha mais condições de ver ela como estava”.

UPA. Elisângela disse ainda que na UPA teve mais dificuldade para conseguir socorro. “Até atenderam ela rápido, mas quando ela sentou a atendente perguntou onde ela operou e quando disse que era em Vitória ela falou que então deveria ter levado ela para lá. Então eu disse que ela pagava os impostos dela e tinha direito. Foi então que ela passou ela para a médica, que a atendeu direito”.

“Quando o médico dela ficou sabendo o que aconteceu ficou muito preocupado porque realmente o caso dela é muito sério. Ela realmente precisava de socorro e isso foi negado para ela. Foi um desrespeito com o ser humano”, desabafou Elisângela. De acordo com a esteticista, a hemorragia foi contida pelos médicos da UPA, sua irmã teve alta e passa bem.

O Portal 27 procurou a Secretária de Estado da Saúde do Espírito Santo (Sesa) para saber porque o Samu não apareceu para prestar socorro para a secretária, mas até o fechamento dessa matéria não obtivemos retorno. 

Nossa reportagem também procurou a prefeitura para saber porque a atendente da UPA se recusou a prestar o socorro em uma situação de emergência somente pelo fato da paciente ter sido operada em Vitória e quais medidas serão tomadas para que casos como este não se repitam e recebeu a seguinte resposta: “A Secretaria Municipal de Saúde informa que a Unidade de Pronto atendimento (UPA) é a porta de entrada de urgência e emergência do SUS no município e seu atendimento é universal, ou seja, a todo e qualquer paciente que procure a unidade. Quanto a conduta da funcionária, os fatos já estão sendo apurados”.

Atualizado às 18h11: A coordenação do SAMU 192 informa que enquanto a telefonista do SAMU passava a solicitante para um médico, a ligação foi interrompida. O SAMU 192 orienta, nesses casos, que o solicitante retome o contato para que o médico avalie qual o melhor recurso para o atendimento.

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