Inaugurado há pouco mais de um mês, o Hospital Francisco de Assis, em Guarapari (HFA), já registrou dois casos notáveis. O primeiro deles é o caso da jovem Dimily, que faleceu ao dar à luz, no último dia 18 de maio. Dimily deu a luz ao bebe Miquéias, mas teve complicações após a cesárea e não resistiu, vindo a óbito.

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Dimily faleceu ao dar a luz a Miquéias.

O portal27 tenta há vários dias falar com a família de Dimily para saber o que ocorreu. Foram diversos telefonemas e contatos em busca de informações. Finalmente, ontem (27), conseguimos falar com uma pessoa próxima a família ,que disse que não pode se pronunciar.

Nossa equipe conseguiu apurar que Dimily estava bem, apenas um pouco inchada antes do parto. No sábado (17), ela teria passado mal, sendo levada às pressas para o HFA. Foi atendida, fez uma cesárea e deu à luz Miquéias. Após o parto, por volta de meia-noite, começou a se debater e passar mal, com ânsia de vômito. Novamente atendida pelos médicos e estabilizada, foi mandada para Serra.

Tentamos fazer contato com outras pessoas ligadas à família, para saber por que ela veio a óbito, ou se houve erro no atendimento, mas todos se recusaram. “Eles não querem falar. Estão todos muito abalados” – disse uma pessoa próxima à família, que foi ouvida por nossa equipe. O portal27 conseguiu apurar que a família já tem o resultado do laudo de Dimily, que aponta morte por eclâmpsia.*

* A hipertensão arterial específica da gravidez recebe o nome de pré-eclâmpsia e, em geral, instala-se a partir da 20ª semana, especialmente no 3° trimestre. A pré-eclâmpsia pode evoluir para a eclâmpsia, uma forma grave da doença, que põe em risco a vida da mãe e do feto.

Resposta. Procuramos o Hospital Francisco de Assis (HFA), que nos informou, através da assessoria, que Dimily “Deu entrada no Hospital com quadro de pressão alta. Após ser estabilizada, foi feita uma cesariana. O procedimento foi realizado com sucesso; porém, após a cirurgia, a mãe teve uma crise convulsiva, que evoluiu para uma parada cardiorrespiratória”, diz parte de uma nota enviada pela assessoria do Hospital. Ainda de acordo com a nota, “A equipe de médicos e enfermeiros do HFA realizou Reanimação Cardiopulmonar (RCP) com sucesso, sendo colocada em ventilação mecânica”.

Transferida.O Hospital afirma ser habilitado para atender pacientes de risco habitual e, por se tratar de um caso de alto risco – após estabilizar o quadro – a mãe foi encaminhada para o Hospital Jayme dos Santos Neves, referência em UTI Obstétrica. “Na UTI, a paciente não resistiu e veio a óbito. O corpo foi encaminhado para o Serviço de Verificação de óbito (SVO), em Vitória, para investigação da causa da morte”, informa.

Denúncia. A ex-secretária municipal de saúde de Guarapari, Hozana Simões, afirmou em uma rede social que “A UTI do HFA ainda não está funcionando; há poucos lençois, pois a lavanderia hospitalar contratada é em outro município, e ainda não há conselho formado para fiscalizar”.

O portal 27 fez contato com o HFA, que respondeu através da assessoria que estas informações não procedem.  O hospital respondeu ainda perguntas enviadas por nossa equipe sobre estes questionamentos. Confira abaixo a resposta.

A fase inicial do CTI foi de obras; agora, a fase secundaria é o treinamento da equipe.

Nota. O Hospital Francisco de Assis (HFA) esclarece que as UTI’s Pediátrica e Neonatal, que constituem o Centro de Tratamento Intensivo (CTI) – composto por 10 leitos – estão em fase de estruturação interna de rotinas e protolocolos assistenciais.

Desde o dia 22 de abril, toda a equipe de médicos intensivistas, enfermeiros e pessoal técnico já foram contratados. No entanto, faz-se necessário o treinamento e capacitação de toda a equipe envolvida.

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HFA tem um prazo de até 3 meses para colocar os seus serviços em pleno funcionamento.

Junho. A fase inicial do CTI foi de obras; agora, a fase secundaria é o treinamento da equipe. O HFA ainda esclarece que a previsão de colocar em funcionamento o CTI é na próxima segunda-feira, dia 02 de junho. Esse cronograma de abertura está em plena sintonia com as cláusulas contratuais firmadas com a SESA, pois o HFA tem um prazo de até 3 meses para colocar os seus serviços em pleno funcionamento.

Lençois. Quanto à reclamação de que há falta de lençois, o HFA desconhece. Sobre o encaminhamento desses lençois para lavanderia, o hospital informa que a contratação foi realizada com todo critério econômico e exigência da Vigilância Sanitária, após não identificar-se no Município uma empresa especializada nessa atividade. O hospital coloca este processo de compra à disposição da reclamante.

Sobre o Conselho Gestor, o HFA esclarece que essa ação é intrínseca ao Conselho Deliberativo da Instituição Mantenedora, o Hifa de Cachoeiro, pois o Conselho será formado por pessoas do Município de Guarapari, e tem poderes sobre o patrimônio, as atividades operacionais e sobre o futuro do HFA. Portanto, a formação de tal Conselho é um ato de Gestão Estratégica da mantenedora, para buscar a sustentabilidade do Hospital no Município de Guarapari.

O HFA ressalta que qualquer pessoa pode procurar a instituição, registrar suas dúvidas e requerer esclarecimentos, desde que não tenha indícios partidários e unilaterais. Até esta terça-feira (27), 76 partos foram realizados na instituição e mais de 3.000 atendimentos de urgência e emergência a crianças de até 12 anos e a gestantes.

Nasce o primeiro casal de gêmeos

Gêmeos. Ao mesmo tempo em que a morte de Dimily foi registrada, uma boa notícia também aconteceu. Nasceram na quinta (22) – dia em que o Hospital Francisco de Assis (HFA) completou exatamente um mês de funcionamento – os primeiros gêmeos bivitelinos, um casal, por meio de cesariana.

Miguel nasceu primeiro, por volta das 11h33, com 3,30Kg e 47cm, enquanto sua irmã, Iane, veio ao mundo dois minutos depois, às 11h35, com 2,200Kg e 46cm.  Até a tarde desta quinta-feira, 57 partos foram realizados no hospital e mais de 3 mil atendimentos a gestantes e crianças de até 12 anos.

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A mãe Daylane Santos Ramalhete, de 27 anos, além de emocionada, se sente abençoada.

A mãe, Daylane Santos Ramalhete, de 27 anos, além de emocionada, se sente abençoada. “Tenho um filho de 10 anos, não pensava em ter mais filhos, e agora Deus me deu mais dois. Muitos dizem que é trabalho em dobro, mas eu não penso assim, mas em bênçãos dobradas”, conta.

De acordo com a gerente de enfermagem, Keila Martins, os procedimentos atendem às exigências do Projeto Rede Cegonha. “Logo após o nascimento, os bebês foram colocamos próximos à mãe. Isso acontece sempre que o bebê nasce chorando, vigoroso, sem nenhum tipo de complicação. Dentro dessas condições, o papel principal dos profissionais de saúde é proteger este momento sensível de apresentação da mãe a seu bebê e vice-versa”, esclarece.

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