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Última aldeia fundada pelo padre José de Anchieta em terras capixabas, no ano de 1585, Guarapari atualmente é conhecida como a cidade turística mais importante do Espírito Santo. No verão, a cidade recebe cerca de quinhentas mil pessoas, de todas as partes do Brasil e do mundo, que vem atrás das badalações e das lindas praias da cidade.

O que poucas dessas pessoas têm conhecimento são as grandes histórias que fazem parte da identidade cultural de Guarapari. Muitas delas teriam dado até sustentação para grandes autores de novelas, fazendo Guarapari entrar para a história da cultura popular brasileira. Todos estes casos, contados de forma oral e passados através das gerações, poderia se perder se não fosse à abnegação de muitas pessoas. Uma dessas pessoas é a professora Beatriz Bueno.

Professora Beatriz Bueno. Foto: Arquivo Pessoal.
Professora Beatriz Bueno. Foto: Arquivo Pessoal.

Formada em Educação Física, ela é uma das maiores pesquisadoras sobre a história de Guarapari. “Minha história começou quando invadiram o morro do Atalaia e cercaram a fonte dos jesuítas, perto da minha casa. Procurei o Conselho Estadual de Cultura para eles tomarem uma providência e eles me pediram para dar embasamento histórico para a minha solicitação. Desde então eu estudo e pesquiso a história da cidade”, diz.

Já são 25 anos de pesquisas, pois desde 1983 ela vem estudando a cidade, reunidos finalmente em um livro que ela publicou em 2011.

Nas suas pesquisas ela achou diversas histórias interessantes, como a história da Rua do Penico Cheio, que atualmente é a Rua do Trabalho, no centro da cidade. “Antigamente as pessoas faziam as suas necessidades nos penicos, pois não havia banheiros, só que de manhã eles jogavam tudo pela janela, daí o nome da rua”, explicou.

Outra história interessante foi durante um discurso de inauguração de um cemitério em 1916, com a presença do presidente do Estado, Coronel Marcondes Alves de Souza. Na inauguração o vereador Deoclésio Borges, proferiu um discurso, que é considerado uma verdadeira pérola da literatura política brasileira.

Entre outras coisas ele disse: “O mundo todo sabe que Guarapari é um país calmoso e hereditário, onde se respira o ar por conseqüência. Pois de um lado (aponta para o mar), tem o oceano Marital. E de outro (aponta para a mata) tem o oceano Matagal”.

Xaréu na rede

Numa época de poucos peixes em Meaípe, a comunidade estava reunida numa missa na Igreja, que existe próximo a praia, para pedir a volta dos peixes. Um pescador estava encarregado de ficar de olho na rede de arrasto, aguardando os peixes. Quando os peixes finalmente caíram na rede ele gritou: “Xaréu na rede!”. Ao ouvir o grito todo mundo saiu da igreja para ajudar a puxar a rede, deixando o padre rezando a missa sozinho.

Até hoje, quanto alguém fala que mora em Meaípe, vem logo a brincadeira: “E aí? Tem Xaréu na rede? ”. Dizem que os moradores mais antigos se sentem provocados ao ouvir esta frase.

Inauguração do cemitério

O cemitério de São João, no centro da cidade, estava pronto desde 1906, depois de dez anos, já em 1916, ninguém havia morrido em Guarapari. Querendo inaugurar o cemitério e sem nenhum “falecido” para realizar as festividades, as autoridades da época tiveram a idéia “importar” um defunto de Anchieta. Assim foi feito e uma mulher, andarilha de Anchieta que havia morrido foi levada para Guarapari. Esta história teria ganhado o Brasil e inspirado o autor da novela O Bem Amado da Rede Globo, que tem uma cena parecida.

Batizado da fogueira

Nas épocas de julho nas festas de São João, as pessoas enquanto dançavam e brincavam, sempre que se encontravam próximos da fogueira falavam assim: “Boa noite compadre (ou boa noite comadre), São João mandou dizer, para sermos compadre e comadre a vida inteira”. Este momento era como um batizado de compadres e deste momento em diante, com este batizado, eles viraram compadres e comadres e as famílias viviam quase como parentes por várias gerações.

Inauguração da luz elétrica

No século passado a cidade não tinha luz elétrica, só lampiões que eram acesos por seu Chico Goiaba. Posteriormente Joaquim da Silva Melo, trouxe da Alemanha, material para instalar a luz na cidade. No dia da inauguração, montaram um cenário de maternidade, com sala de parto em cima de um caminhão e trouxeram a parteira mais importante da cidade, dona Conceição, fazendo uma encenação para que ela pudesse ajudar a “dar a luz” na cidade. O caminhão saiu percorrendo toda a cidade, para mostrar aos moradores a chegada da luz.

Canga Burra

Era um tipo de brincadeira, feita pelas crianças, parecida com pique esconde, onde as crianças brincavam da seguinte forma: quando a criança estava à procura das outras, achava alguém, ela dava uma “bolada” com uma bola feita de meia, amarrada num barbante e gritava “Canga Burra!”.  Segundo a professora, este tipo de brincadeira só era realizado aqui na cidade, sem ela ter encontrado brincadeira parecida em outra parte.

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