Com a inauguração da primeira etapa da obra de revitalização do Canal de Guarapari, prevista pelo Departamento de Estradas de Rodagem (DER) para o final de junho, os peixeiros que trabalham ao longo da avenida Pedro Ramos terão que deixar o local. Por isso, eles se reuniram com representante da prefeitura para discutir a saída dali e receberam a promessa de que uma nova reunião seria realizada para informá-los sobre um novo espaço para trabalharem. Porém,  quase um mês depois nada foi feito.

Gilberto relatou que os peixeiros aguardam a quase um mês pelo nova reunião que a prefeitura prometeu realizar para informar onde eles poderão trabalhar. Foto: Rafaela Patrício

O peixeiro Gilberto Cabral de Melo, de 45 anos, trabalha no local com o irmão há cerca de 20 anos. Ele contou que até o momento eles não foram mais procurados para falar sobre o assunto. “A segunda reunião não aconteceu até hoje. Em breve vão inaugurar isso aqui e vão tirar nós daqui. Essa é a única certeza que temos porque não falaram nada para onde vamos”.

O peixeiro André Lira, de 40 anos, trabalha no Canal há um ano. Ele confirmou que a nova reunião não aconteceu e contou que eles só conseguiram conversar com os vereadores. “Os vereadores estão todos do nosso lado pedindo apoio ao prefeito justamente para ceder essa área aqui da frente que seria ideal para a gente trabalhar e pertence ao Estado”.

Área onde os peixeiros gostariam de ser instalados. Foto: Rafaela Patrício

Segundo ele, os trabalhadores gostariam de ser instalados no terreno em frente ao Canal, onde funcionava o antigo prédio do Incaper que foi demolido. Essa área é ideal porque é na beira do caís, perto do mercado e muito próspera”, disse André. Ele afirmou ainda que os peixeiros concordam em se legalizar para trabalhar no local. “A gente está disposto a pagar as taxas e impostos que precisar. Queremos trabalhar legalmente e de acordo com o que a prefeitura exigir”.

Gilberto revelou que a incerteza sobre o destino deles está tirando seu sono. “Eu estou muito preocupado. Tenho filhos, neto e mão para sustentar. Agora estou com um problema na perna e como vou comprar remédios sem poder trabalhar?”, questionou o peixeiro.

André também relatou está preocupado com a possibilidade de ficar desempregado. “Não deram a solução para onde vão levar a gente e estou preocupado porque a gente tira nosso sustento daqui. Querendo ou não estou gerando emprego aqui porque tenho dois funcionários que trabalham comigo fazendo a limpeza de peixe. Essa é nossa única renda e se tirarem a gente daqui vamos ficar desempregados e nessa crise arrumar um emprego está muito difícil”, lamentou o peixeiro.

Gilberto relatou que gera emprego e está preocupado com a possibilidade de desemprego para ele e seus funcionários. Foto: Rafaela Patrício

Procurada, a administração municipal disse que está buscando solucionar o problema, mas não informou quando uma nova reunião será realizada nem onde o município pretende instalar os peixeiros. “A Prefeitura de Guarapari informa que através da Semag, Septran e Setac tem estudado o caso e realizado reuniões em busca de uma resolução para tal demanda”, diz a nota da administração municipal. 

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