Uma mulher, que prefere não ser identificada, pede ajuda para única comunidade quilombola de Guarapari, em Alto Iguape, que está passando por dificuldades, principalmente de acesso, por conta das más condições em que se encontram as estradas que levam até o lugar.

Nem todos os carros conseguem ter acesso à comunidade, pelas condições das estradas. Eles precisam caminhar cerca de 1h30 para chegar até o ponto de ônibus mais perto. Foto: aquivo pessoal.

A mulher comenta que a situação das estrada está tão crítica que muitas vezes os veículos não conseguem subir até a comunidade. “Há um menino de 8 anos que tem que andar 20 minutos naquelas estradas sozinho porque a van escolar não consegue chegar até a comunidade. Eles deixam ele em ponto da estrada porque ficam com medo de não conseguir fazer o percurso”, fala.

E que moradores estão pagando um preço alto pela dificuldade de acesso. “Eles produzem algumas coisas para vender, e tem um carro que vai lá comprar paga R$6 reais na caixa de banana, paga pouco por ser tão difícil de chegar lá. E eles não tem outra opção, vendem mais barato porque não tem outra opção, já que não conseguem sair de lá”, comenta.

Além das dificuldades com as estradas, a comunidade não é atendida por nenhuma linha de transporte coletivo, a mais próxima fica há cerca de 1h30 de caminhada. “Um senhor que mora lá trabalha na feira, em Guarapari, ele desce caminhando com tudo nas costas por 1h30. Ele só não vende mais porque não consegue carregar mais peso andando por essas estradas”, ressalta.

A mulher comenta que os quilombolas estão praticamente isolados em sua comunidade. “Todos lá sofrem com essa situação. O ponto de ônibus mais perto fica em Buenos Aires, e ele só passa bem cedo ou no final da tarde. Então se os moradores quiserem descer além de caminhar muito até o ponto de ônibus, tem que esperar até o final da tarde para voltar. E na comunidade tem muitos idosos, muitos já não conseguem mais fazer o percurso, e aí eles vão ficando lá em cima, sem alternativas”, diz.

Para ela, essa situação contribui para que a única comunidade quilombola de Guarapari, que inclusive é reconhecida pela Fundação Palmares e Antropos, vá se disseminando na cidade. “Com isso as tradições da comunidade vão se perdendo. Os mais jovens já estão se mudando e abandonando o quilombo. Agora só tem 13 famílias lá. As dificuldades são tamanhas que a cultura está se esvaindo”, lamenta.

Para chegar até o Centro de Guarapari, eles precisam andar de Alto Iguape até Buenos Aires. Foto: arquivo pessoal.

A mulher pede para que a prefeitura tome alguma medida. “Não estou pedindo nem o asfalto, mas pelo menos, uma máquina regularmente para arrumar a estrada, ou até mesmo, jogar pó de brita. A situação pela qual eles estão passando não pode permanecer.

O Portal 27 procurou administração municipal para saber sobre a questão das estradas, se há previsão para levar uma linha de transporte coletivo à comunidade, e ainda se existe algum projeto para preservar a tradição do quilombo. Através de nota, a prefeitura respondeu apenas que “A Secretaria Municipal de Obras está desde o fim de semana passado, juntamente com a Defesa Civil e Corpo de Bombeiros, atuando no interior do município realizando serviços como desobstrução de vias e terraplanagem para normalização da situação. O trecho citado já encontra-se em cronograma de ações da Semop”, disse a prefeitura.

Deixe seu comentário

Comments are closed.