A falta de medicamentos nas farmácias do município e na Unidade de Pronto Atendimento (UPA) tem gerado uma grande insatisfação em quem depende da saúde pública. Há dois meses a Secretaria Municipal de Saúde promoveu uma reunião com lideranças comunitárias no depósito de medicamentos para provar que os remédios e insumos que estavam em falta já haviam sido comprados e estavam chegando. Mas, para muita gente a situação não melhorou.

A mãe de uma criança autista está há sete meses esperando pela chegada do Risperidona líquido, que está em falta no município. Foto: Ilustrativa

A mãe de uma criança autista, que prefere não ser identificada, é uma delas. Ela relatou que o filho faz uso de Risperidona, um antipsicótico que controla as crises do menino, e que está desde abril sem conseguir pegar o medicamento nas farmácias da Unidade de Saúde Dr. Roberto Calmon, no Centro, e do Centro Municipal de Saúde, em Muquiçaba. “Ontem estive lá de novo e vi que chegou apenas em Muquiçaba, mas é em comprimido. A que meu filho utiliza é a líquida porque ele não pode engolir comprimidos. A moça me disse que não tinha chegado a líquida e que não sabia quando iria chegar”.

“Acho um absurdo quando eles dizem que tem medicamento. Eu ainda estou conseguindo comprar, mas tem muita gente que não consegue e fica sem e não sabe nem como reivindicar isso. A gente já paga tanto imposto, tem gasolina e gás subindo e a medicação que a gente sempre contou está desse jeito”, desabafou a mãe.

UPA. Shirley Silvana de Brito, de 52 anos, afirmou que durante o parto de um dos seus filhos foi usado o fórceps, um instrumento utilizado para ajudar a retirar o bebê, e que por isso não tem mais a musculatura que separa o intestino da vagina e vai precisar passar por uma cirurgia.

Este problema causou uma infecção urinária e intestinal que a levou para a UPA na última terça-feira (07), mas lá não havia o remédio que o médico receitou. “Eu estava com muita febre e dor e fui para a UPA. O médico que me atendeu prescreveu soro com Dipirona, mas quando cheguei no balcão a mulher me mandou voltar para falar com ele e pedir para prescrever outro medicamento porque não tinha Dipirona aí ele prescreveu o Buscopan”.

Segundo Shirley, na Unidade de Pronto Atendimento de Guarapari não tinha Dipirona.

Melhorando. Para o vereador Dito Xaréu, que em março também sofreu com a falta de medicamentos na UPA, a situação está melhorando. “Cada dia que passa está melhorando mais e já chegaram alguns medicamentos. Às vezes a pessoa que está com um familiar precisando de um remédio que não tem e não entende o processo licitatório, mas já chegaram os medicamentos e acreditamos que em um futuro bem próximo será tudo resolvido. Inclusive, foi publicado no Diário Oficial segunda-feira a contratação de mais profissionais para a saúde. Então além dos medicamentos que estão chegando, vamos ter mais profissionais para melhorar nossa saúde”.

Resposta. O Portal 27 procurou a prefeitura para saber porque estes medicamentos estão em falta e quando a questão da falta de remédios será resolvida definitivamente na cidade e recebeu a seguinte resposta: “A Secretaria Municipal de Saúde informa que não tem medido esforço para resolver a questão dos medicamentos, o mais rápido possível. Após a assinatura dos contratos com os fornecedores, os medicamentos e insumos estão chegando ao município de forma gradativa. Foram firmados contratos com aproximadamente 30 fornecedores. A maioria dos medicamentos já foram entregues e distribuídos nas farmácias e nos locais de atendimento da cidade, incluindo a UPA, outras empresas encontram-se dentro do prazo legal para entrega e outras já foram notificadas pelo município para cumprimento dos prazos.  

No caso da dipirona, o município precisou fazer um novo processo de compra, uma vez que, não houve empresa interessada na época. Esse processo já está sendo feito e a licitação vai acontecer nas próximas semanas.  

Quanto ao Risperidona Liquido, o medicamento já foi comprado e em até 20 dias a empresa deverá fazer a entrega. A Semsa informa que outros medicamentos que substituem os que foram demandados na matéria já estão disponíveis para atender a demanda.  A secretaria informa que continua trabalhando com a expectativa de que essa questão seja resolvida até o início de 2018”.

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