A falta de tratamento de esgoto na região norte de Guarapari acabou ganhando participação em filmes de terror do cineasta capixaba Rodrigo Aragão, de 38 anos. Em todas as suas produções, há sempre uma crítica relacionada ao abandono do Bairro Perocão, onde ele mora desde quando nasceu.

Rodrigo lamentou e criticou a situação que o bairro vivencia nos últimos três anos. "Vivemos há anos nessa situação de abandono", disse Aragão.
Rodrigo lamentou e criticou a situação que o bairro vivencia nos últimos três anos. “Vivemos há anos nessa situação de abandono”, disse Aragão.

Em seu mais novo longa-metragem, “as fábulas negras”, dirigido com mais três amigos, ele reconta as histórias de personagens do folclore brasileiro de uma forma mais realista. Rodrigo não perdeu a oportunidade e dirigiu o “O monstro do esgoto” pensando na situação do seu bairro que enfrenta há mais de três anos.

“Hoje o esgoto é jorrado pela Prefeitura dentro do nosso rio. Não temos um esgoto tratado e vivemos com o mau cheiro. Resolvi mostrar que há três anos enfrentamos esse problema. A realidade é pior do que a ficção”, lamentou Rodrigo.

O problema da falta de uma estação de tratamento no bairro começou no final do ano 2000, quando a Prefeitura de Guarapari na época, realizou um convênio com a Fundação Nacional de Saúde (Funasa), para a criação de uma estação no bairro Perocão. A obra avaliada em R$ 1 milhão e 600 mil reais começou em 2001.

A estação de tratamento de esgoto será entregue no início de junho deste ano.
A estação de tratamento de esgoto será entregue no início de junho deste ano.
O Secretário de Desenvolvimento e Expansão Econômica, Danilo Bastos, explicou que em 2008 ela foi paralisada por apresentar indícios de irregularidades na construção. Foi comprovado em 2009 que foram realizados pagamentos sem que o serviço fosse prestado. Já em 2010 houve a retomada das obras, mas em 2011 a construção parou novamente.

Desde 2013 a atual gestão investiu R$ 800 mil reais para finalizar as obras que será entregue no início de junho deste ano. Danilo ainda explicou que o esgoto jorrado no Rio Perocão é de irresponsabilidade dos próprios moradores que não fizeram ligamento ao sistema e preferiram a irregularidade.

A administração e operação do local ficará por conta da Companhia Espírito Santense de Saneamento (Cesan), que aguarda o repasse oficialmente da Prefeitura da cidade.