Tenho visto nas redes sociais e na mídia nacional, comentários e entrevistas com pronunciamentos acalorados, de um lado e do outro, de quem defende, e de quem é contra as lideranças religiosas, que se posicionam diante da questão LGBT. E vejo que os religiosos que mais se expõe, são os que mais polemizam o tema. Ultimamente, tenho pensado se eles realmente morreriam pela causa que defendem, por acreditar nos preceitos bíblicos, como o pastor que morreu no Irã por não abrir mão de sua crença em Jesus Cristo, ou se seriam tolos a ponto de debaterem infrutiferamente a situação, ou ainda, se estes querem mídia a qualquer preço.

Até onde eu sei, a igreja católica não concorda com o “movimento” LGBT. O novo líder da Igreja de Roma eleito na última semana, o Papa Francisco, por conseguinte, não deverá se posicionar contra a igreja. Mas é bom que já fique claro que não quero entrar no mérito do que as Igrejas devem ou não aceitar ou rejeitar. A minha abordagem simplória e humilde, que você me dá a honra neste momento de gastar o seu tempo com a leitura, é com relação a exposição midiática.  Quando o saudoso Papa João Paulo II ficou doente pela primeira vez, e sua saúde ficou realmente muito debilitada, a Rede Globo teria alugado um espaço privilegiado na Praça de São Pedro, a fim de que pudesse fazer a melhor cobertura jornalística. Entretanto, não foi daquela vez que o Papa partiria para a eternidade, João Paulo ainda viveu um bom tempo, mas o lugar continuou reservado.

Quando enfim aquele pontífice deixou este mundo, creio que todos senão muitos em todo Brasil, acompanharam a cobertura da TV dos Marinho. Mas um fato me chama a atenção até hoje, nos 37 anos em que acompanho televisão , é que não me recordo de nenhum jornalista brasileiro que tenha entrevistado um Papa. Então, se minha memória não estiver me traindo, creio que por essa linha de raciocínio, dificilmente Sabrina Sato não conseguirá uma entrevista com o Papa Hermano, o Francisco  –  talvez. Provavelmente,

Ele também não irá no programa do Ratinho, e possivelmente não vai bater boca com o pessoal do CQC, eu acho. O fato é que Bento XVI e  João Paulo II, representantes da Igreja Católica tinham,  e o Papa Francisco tem, assim como vários pastores evangélicos também tem, sua posição diante de temas polêmicos como o LGBT, divórcio, métodos contraceptivos, aborto e tantos outros.

Opinião formada, posição assumida, Capítulo encerrado. Não vimos, e creio que não veremos, nenhum Papa repetidas vezes na imprensa dizendo de seu posicionamento quanto a esse ou aquele tema, a igreja que estes representam e eles próprios, tem suas convicções e ponto final. Discutir temas dessa magnitude e relevância com Sabrina Sato, como já vi liderança religiosa fazer, acho no mínimo desnecessário, pra ficar por aqui.

Creio que as pessoas, os fieis, possuem necessidades espirituais muito mais importantes, pelas quais clamam e choram, e por isso precisam do apoio e orientação de seus líderes. O Pastor de Roma não é omisso, o mundo sabe o que Ele e a instituição por ele representada defendem. Penso que os Pastores de todas as demais denominações mundiais, devem fazer o mesmo. Façam a toda mídia conhecer seus ideais e princípios e pronto.

Dai por diante, deixe que todos os comunicadores se ocupem de questões igualmente importantes para as sociedades humanas. Acredito que não vale a pena ver um tempo caríssimo em rede nacional ser desperdiçado com bate bocas intermináveis, ofensas de toda sorte, onde a palavra de ordem é “processar”. Na arena das redes e das telas, o público vai ao delírio com os embates, e como na Roma antiga querem ver o vencedor da luta épica, hoje travada pelos gladiadores do século XXI.

Fabiano dos Santos – Diretor da TV Sudeste em Guarapari desde 2007. Publicou em 2004, a Revista Economia Norte Sul, quando cursava o mestrado em Economia e Gestão Empresarial. Em parceria com o Jornalista Wilcler Carvalho Lopes publicou o Jornal 30 Dias em 2004. É graduado em ciências contábeis e Jornalista.

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