A doméstica, Renata Pereira, de 39 anos, sofre com dores na coluna e aguarda há mais de 3 anos por um exame para tentar descobrir a causa da dor. Nesta quarta-feira (11) ela foi surpreendida quando no meio da manhã a clínica particular em Vitória, subsidiada pelo município, entrou em contato para confirmar presença em seu exame que seria realizado algumas horas depois.

Renata não conseguiu chegar a tempo para o exame marcado. “Eles me ligaram para confirmar, dizendo que tinha que estar de jejum e que eu levasse o pedido. Eu aguardo essa cintilografia há 3 anos e meio, já fiz dois pedidos, sinto dores diariamente que me atrapalham a trabalhar. Quando ele finalmente foi marcado eu perdi porque não fui avisada”, comenta.

Renata mostra toda papelada que junto ao longo de mais de 3 anos á espera do exame.

Desesperada, Renata foi em busca do pedido de exame feito pelo médico do SUS na Unidade de Saúde da Família Dóris Gardini (CAIC) que liberaria o procedimento na clínica. “Quando a recepcionista me avisou, comecei a saga para procurar a liberação do exame que tinha que levar, fui à secretaria de Saúde e me mandaram procurar no posto do meu bairro. Chagando lá eles custaram a encontrar. Quando encontraram já não dava mais tempo”, lamenta.

Linha telefônica. A doméstica fica indignada por não ter sido comunicada que seu exame estava marcado. “Eles disseram que não fui avisada porque o telefone do posto está há três meses cortado, eles não conseguiram me ligar. Isso é absurdo eu com dor, esperando pelo exame, não ser avisado porque a conta de telefone não estava paga”, diz.

Agente de Saúde.Ela fala que deveria ter recebido a visita do agente de saúde, já que a unidade não conseguiu o contato por telefone. “Para casos que não conseguem falar pelo telefone, o agente de saúde vai na casa da pessoa para entregar o pedido. Mas o agente do Caic está doente e de licença há dois anos e nesse tempo todo não colocaram um substituto”, afirma.

Ela culpa o município pelo ocorrido. “É um absurdo eu passando por essa situação, cheia de dores, perder um exame marcado pelo descaso com e má administração”, fala.

Remarcado. Renata conseguiu pela clinica que seu exame fosse remarcado “Tive que implorar no telefone, contei toda minha situação que aconteceu e moça se comoveu com minha situação. Precisei implorar para perder de fato o exame, mas se ela não tivesse sido compreensiva e me ajudado, eu teria que esperar por mais alguns anos para fazer a cintilografia, até porque eles não eram obrigados a remarcar o exame, já que não pude comparecer no marcado”, lamenta.

O Portal 27 procurou o a prefeitura, que através de nota, informou que “A Secretaria Municipal de Saúde esclarece que todas as solicitações de exame são inseridas no Sistema Nacional de Regulação – SISREG que gerencia todo complexo regulatório, desde a rede básica à internação hospitalar, com maior controle do fluxo e otimização na utilização dos recursos.

O pedido do exame da paciente foi inserido no SISREG em 11 de setembro de 2017. Caso o Estado não libere em até dois anos, o sistema retorna à solicitação do exame ao município para análise e confirmação da necessidade do paciente. Isto posto, a afirmação da paciente é improcedente quanto à espera de três anos.

Conforme preconizado pelo Ministério da Saúde, em sua Portaria Nº 2488/2011, não é atribuição das equipes de saúde, entrarem em contato ou entregarem na residência as liberações de exame. Todo paciente é corresponsável pela verificação da liberação ou não de sua solicitação, ligando ou indo pessoalmente à unidade de saúde de seu território sanitário. 

Linha Telefônica
Todas as linhas telefônicas das unidades da Secretaria Municipal da Saúde são vinculadas uma única conta. Assim, se a unidade citada estivesse com a conta cortada por falta de pagamento, todas as unidades de saúde e administrativas também estariam, algo que não procede, uma vez que o pagamento está em dia“, afirmou a prefeitura.

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