Os moradores da cidade de Guarapari acordaram mais uma vez com a notícia da falta de ônibus circulando na cidade, o motivo desta vez é a paralisação dos motoristas, cobradores e demais funcionários da empresa, que estão se manifestando contra o suposto atraso no pagamento dos salários, tickets alimentação e nas parcelas mensais de um acordo feito no ano passado.

Ontem, o Portal 27 relatou a situação, mostrando que toda a frota da empresa Lorenzutti, única de transporte público atuante em Guarapari, estava paralisada, deixando os moradores sem meios de locomoção coletiva, sendo obrigados a procurar serviços de transporte alternativos, como motoristas de aplicativos ou carros particulares.

Hoje a paralisação também se manteve e os ônibus não circularam em Guarapari. Aconteceu, inclusive, um ato simbólico na frente da garagem, com os funcionários cantando parabéns para um bolo “comemorando” o atraso no pagamento do FGTS, que supostamente não está sendo depositado há mais de 3 anos.

Confira o vídeo:

No entanto, segundo os organizadores do movimento, a paralisação irá continuar até que recebam tudo que está sendo devido, como o ticket alimentação, salários atrasados e parcelas de um acordo feito em junho de 2020. Carlos Alberto, outro organizador, comentou a situação e os motivos para o ato.

“Nós estamos com 100% de paralisação, motoristas, cobradores, funcionários, todos nós. Queremos o pagamento dos atrasos, são vários, como: 54% do salário de março ainda não foi pago, a parcela do acordo do mês de abril também não, R$350 do ticket do mês de maio está em falta. Além de tudo isso ainda temos o FGTS, que há 3 anos e 6 meses não é depositado, e mesmo assim é descontado da folha salarial”, disse Carlos Alberto.

Por fim, o organizador também relatou que não irão aceitar outro acordo, e só voltarão para as ruas quando tudo for quitado, visto que o último acordo supostamente também está com atraso no pagamento.

“Nós já fizemos um acordo com a empresa no ano passado e ele está com os pagamentos das parcelas atrasado, nós só voltamos para a rua quando recebermos tudo que a empresa está nos devendo, estamos trabalhando sem receber”, finalizou o organizador.

O outro lado

Diante das acusações dos funcionários, que justificaram a paralisação com os supostos atrasos em diversos pagamentos, questionamos a empresa Lorenzutti sobre o caso, que negou estar em dívida, tanto com os salários quanto com o FGTS.

Confira a nota na íntegra:

“Reiteramos que a empresa tem participado de mediações junto ao TRT, com a presença do Sindicato da categoria e Município de Guarapari, buscando solucionar a regularização dos salários, PROBLEMA ESTE NÃO OCASIONADO PELA EMPRESA, mas sim pelas medidas restritivas impostas pelo Poder Público em razão da pandemia da COVID-19, inclusive as tratativas entre a empresa, Sindicato, Prefeitura e TRT continuam.

A nota se refere à reunião da última greve, que era organizada pelo Sintrovig.

A Expresso Lorenzutti informa que o valor do VALE ALIMENTAÇÃO da categoria é de R$ 750,00 por funcionário pagos no dia 20 de cada mês, sendo que foram pagos na integralidade todos os valores de vale alimentação DE JANEIRO A ABRIL/2021, inclusive os acordos do citado período, resta em aberto apenas parte do saldo do vale alimentação vencidos em 20/05/2021.

QUANTO AOS SALÁRIOS ficou acordado no TRT em audiência realizada no dia 03/06/2021 que 60% da receita seria direcionado ao pagamento dos valores em atraso, para tanto seria necessário a manutenção do serviço de transporte.

Assim, em 04/06/2021 (sexta feira) após a reunião com a comissão do SINTROVIG, a empresa não só cumpriu o percentual acordado em audiência, como realizou a quitação de 100% do saldo de salário vencido em 10/05/2021 para todos os funcionários.

Desta feita, encontra-se pendente de quitação apenas 50% do salário vencido 10/04/2021 (ref. mês de março), justamente do período dos 21 dias de paralisação total do serviço por força dos Decretos Estaduais nº 4848-R, nº 4859-R e nº 4866-R, QUE IMPOSSIBILITOU TANTO A EMPRESA DE OPERAR COMO OS FUNCIONÁRIOS DE TRABALHAR e a parcela do acordo deste mês de maio.

Quanto aos DÉBITOS DE FGTS a empresa informa que estes encontram-se declarados e parcelados junto ao órgão competente.

A empresa e sua diretoria sempre se colocaram à total disposição dos funcionários para conversar abertamente, entretanto, não compactua com práticas ilegais e discricionárias que vem sendo tomadas por alguns manifestantes.”

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