Presidente afirma que Samarco estaria “zerada”

Desde que aconteceu a tragédia em Mariana, a Samarco está com suas atividades suspensas. De acordo com informações divulgadas pelo jornal Valor Econômico e pelo gazetaonline, a empresa atualmente está com seus caixas zerados, segundo afirmou esta semana ao Valor o presidente da mineradora, Roberto Carvalho.

A companhia quer voltar a produzir até o segundo semestre de 2017. Presidente diz que caixa da Samarco está zerado. Foto: Vinícius Rangel.

Estudo encomendado pela mineradora anglo-australiana BHP Billiton calculou que a Samarco deixará de faturar R$ 4,4 bilhões por ano, ou R$ 368 milhões por mês que continuar paralisada. O levantamento foi realizado por economistas da Tendências Consultoria.

A companhia considera a possibilidade de retomada da produção de minério de ferro e de pelotas de ferro – produto que a empresa exporta 100% – no terceiro trimestre de 2017. Mesmo assim, a Tendências projetou o impacto que a mineradora terá em sua receita se ficar mais cinco anos parada: R$ 21,7 bilhões. No caso de mais dez anos de paralisação, R$ 52,7 bilhões.

Em 2015, quando operou por dez meses e cinco dias – até o desastre ambiental em sua barragem de Fundão, a empresa teve faturamento de R$ 6,48 bilhões, com produção e venda da ordem de 25 milhões de toneladas de pelotas e concentrado de minério.

Devido ao problema que levou à paralisação das operações desde então, teve prejuízo de R$ 5,83 bilhões, ante lucro de 2,8 bilhões no ano anterior, conforme balanço da companhia em seu site.

Roberto assumiu o cargo interinamente em janeiro deste ano | Reprodução/Samarco

Audiências públicas. A divulgação do estudo é feita numa semana importante para a mineradora. Na quarta e quinta-feiras serão realizadas audiências públicas em Ouro Preto e Mariana sobre o processo de licenciamento pedido pela Samarco para retomada de suas operações.

Ele é parte de uma tentativa dos acionistas de reforçar seu argumento de que a empresa deve voltar logo a operar e que sua inatividade representa perdas não só para a própria Samarco, mas para trabalhadores e para a economia.

Nas duas audiências públicas, o que estará em discussão é o pedido de licença que tramita na Secretaria de Meio Ambiente de Minas Gerais. A empresa quer autorização para voltar a operar depositando o rejeito da mineração em uma cava que tem em Mariana.

No quesito exportações, se não voltar em 2017, a Samarco deixará de vender ao exterior US$ 766 milhões – ou US$ 64 milhões por mês de paralisação. Em cinco anos, as perdas chegariam a US$ 3,7 bilhões e a US$ 9,1 bilhões em dez anos. Seus clientes de pelotas de ferro são concentrados no exterior. Quando estava na ativa, era o segundo maior player global, atrás da Vale e à frente a sueca LKAB.

Com informações do gazetaonline.

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