Na tarde desta sexta-feira (19) um menino, de 6 anos, ficou engasgado ao  engolir uma roda de carrinho, na rua Francisco Lacerda de Aguiar, no Ipiranga. Ele estava trancado sozinho dentro de casa, mas conseguiu pedir socorro e os vizinhos chamaram o Samu e o Corpo de Bombeiros.

O menino, de 6 anos, ficou engasgado ao  engolir uma roda de carrinho e estava sozinho dentro de casa. Foto: Rafaela Patrício

Uma vizinha que não quis ser identificada relatou que o menino  mesmo engasgado gritava pedindo ajuda para o morador da casa de cima, mas ele também estava trabalhando então ela pediu socorro e outra vizinha o ajudou a engolir o brinquedo. “Ele não estava conseguindo respirar e tossia muito até que outra vizinha deu um pouco de azeite para ele beber e aí ele parou de tossir. Então chamamos os Bombeiros e Samu porque estava tudo trancado e não tínhamos como socorrer ele”.

Segundo ela, o menino apanha com frequência. “Ele chora todos os dias. Ontem meu marido socorreu ele porque a televisão caiu e ficou chorando com o medo do pai bater nele. As costas dele está cheia de marcas e acho que é porque a televisão caiu ontem. Ele estava com medo de chamar o médico para ver porque sabe que vai apanhar quando o pai chegar”.

Outra vizinha que  também não quis ser identificada ficou conversando com o menino pela janela para acalmá-lo enquanto os Bombeiros tentavam entrar na casa. Ela também afirmou que a criança fica sozinha e se ofereceu para cuidar do garoto para o pai poder trabalhar. “Ele pode deixar o menino comigo. Tenho um filho de nove anos e não me importo de cuidar dele. Pelo menos assim ele não fica sozinho ali porque é triste demais. Sou mãe e me dói essa situação”, disse a vizinha emocionada.

Agressão. Ela também disse que o menino tinha marcas de agressão. “Nunca via ele apanhado, mas escutei ele bater. Ele está com as costas toda marcada e me disse que não queria que o pai batesse nele. Eu prometi que não iria deixar ele apanhar então falei com o pai para não bater. Mas ele me disse “tia, ele vai me bater depois”.

O pai do menino, um vendedor de picolé, de 47 anos, é de Belo Horizonte, em Minas Gerais, e mora em Guarapari há 2 anos. Ele contou que estava trabalhando quando foi avisado por um amigo sobre o acidente com o filho e voltou correndo para casa com medo do que pudesse ter acontecido. O pai relatou que  se separou da mãe da criança e vivem só os dois na casa, mas como precisa trabalhar deixa o filho sozinho. “Somos só eu e ele e tenho que sair para trabalhar então ele fica sozinho. Mas é só no período de férias e ele fica sozinho só umas quatro horas por dia”.

Ele negou que maltrata a criança. “As marcas são só umas chineladas que a gente dá para orientar e não fazer coisa errada. Chamo a atenção dele, mas bater desse jeito  que estão falando eu não bato”, disse o pai.  Ele afirmou ainda não vai mais deixar o menino sozinho. “Agora uma vizinha propôs me ajudar então vou deixar ele com ela. Não tenho condições de pagar ninguém porque não tenho carteira assinada”.

Abandono de Incapaz. O Corpo de Bombeiros explicou que recebeu o chamado para atender a ocorrência de uma criança engasgada e presa dentro de casa, mas quando chegou ao  local o menino já estava bem e o pai já estava a caminho. Como a Polícia Militar (PM) recebeu a denúncia de abandono de incapaz, ela assumiu o caso e os  Bombeiros junto com a PM conversaram  com a criança e o pai.

Segundo a PM, os vizinhos relataram que o pai bate na criança e como ele estava com lesões nas costas que parecem marcas de chineladas e ainda mostrou ter muito medo do pai, os dois foram conduzidos para a delegacia da cidade onde foram ouvidos pelo delegado de plantão e uma representante  do Conselho Tutelar.

 O Portal 27 procurou o Conselho Tutelar para saber se a criança continuaria com o pai ou seria encaminhada para um abrigo e recebeu a seguinte resposta: “O Conselho Tutelar de Guarapari informa que o Estatuto da Criança e do Adolescente rege que casos de violência envolvendo crianças e adolescentes devem ser mantidos em sigilo para resguardar a identidade e a segurança da mesma. A criança e a família já estão sendo acompanhadas, mas os detalhes não podem ser divulgados conforme lei”.